Quando só não me escuto. Não estreita o peito sob os passeios, não engasga a garganta sem engolir, não soergue o abdômen convulso.
O palpável perde ao tato.
sábado, 22 de janeiro de 2011
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Fantasia não é paz.
Sentar-se não é paz.
Admitir não é paz.
Mentir não é paz.
Levantar-se, pois, nunca será paz.
Querer não é paz.
Conseguir não é paz.
Fechar-se não é paz.
Fechar não é paz.
Ar não é paz.
Umidade não é paz.
Carros não fazem paz.
Maçãs também nunca a fizeram.
Ter não é paz.
Não ter não é paz.
Alegria não é paz.
Abrir-se não é paz.
Liberdade não é paz.
Fumaça não é paz.
Erosão não é paz.
Vozes não são paz.
Silêncio não é paz.
A estrela d'alva não é paz.
Tristeza não é paz.
Não saber o que dizer não é paz.
Ter muito o que dizer não é paz.
Dizer a coisa certa também não.
A coisa certa não é paz,
porque um momento não pode ser paz.
Paz não diz, mas paz não cala.
Não suscita epopeias, mas inflama discursos.
Não marca iniciais, mas estranha as tais marcas.
Não inicia, mas termina a cada instante.
Sentar-se não é paz.
Admitir não é paz.
Mentir não é paz.
Levantar-se, pois, nunca será paz.
Querer não é paz.
Conseguir não é paz.
Fechar-se não é paz.
Fechar não é paz.
Ar não é paz.
Umidade não é paz.
Carros não fazem paz.
Maçãs também nunca a fizeram.
Ter não é paz.
Não ter não é paz.
Alegria não é paz.
Abrir-se não é paz.
Liberdade não é paz.
Fumaça não é paz.
Erosão não é paz.
Vozes não são paz.
Silêncio não é paz.
A estrela d'alva não é paz.
Tristeza não é paz.
Não saber o que dizer não é paz.
Ter muito o que dizer não é paz.
Dizer a coisa certa também não.
A coisa certa não é paz,
porque um momento não pode ser paz.
Paz não diz, mas paz não cala.
Não suscita epopeias, mas inflama discursos.
Não marca iniciais, mas estranha as tais marcas.
Não inicia, mas termina a cada instante.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Como quando a gente, cansado,
deita-se de costas na madeira do chão e as bochechas pesam
e escorrem às orelhas
e o queixo côncavo, uma caverna de
todas as vergonhas, enfurna-se
e no pulso, sob os tetos do céu
ou sob o céu do teto que mais vemos,
essa inapetência que foge à palavra sobe-nos
assim, melindrosa, lasciva, clandestina...
Mas não me possui: não porque não deixo,
mas porque não tem como:
Sou ela, tanto também ela me é que,
sozinhos,
dividimos o silêncio de agonia - outro, o silêncio
que se lança de dentro da gente
independe dessa mesquinharia, dessa cama, da almofada,
é sagrado e não se verga porque é curva só e diferente -
O nosso silêncio que não veio porque desejado,
talvez desgraçado mas aceito por pusilanimidade,
aceito, embora dentro, onde falta o som igual,
o ruído de uma garganta engasgada com o Dia que lhe é pesado
esganiça por mais alma, alguma alma
e num descaramento, finjo perguntá-la
por o que mesmo havia trocado a mim mesmo.
deita-se de costas na madeira do chão e as bochechas pesam
e escorrem às orelhas
e o queixo côncavo, uma caverna de
todas as vergonhas, enfurna-se
e no pulso, sob os tetos do céu
ou sob o céu do teto que mais vemos,
essa inapetência que foge à palavra sobe-nos
assim, melindrosa, lasciva, clandestina...
Mas não me possui: não porque não deixo,
mas porque não tem como:
Sou ela, tanto também ela me é que,
sozinhos,
dividimos o silêncio de agonia - outro, o silêncio
que se lança de dentro da gente
independe dessa mesquinharia, dessa cama, da almofada,
é sagrado e não se verga porque é curva só e diferente -
O nosso silêncio que não veio porque desejado,
talvez desgraçado mas aceito por pusilanimidade,
aceito, embora dentro, onde falta o som igual,
o ruído de uma garganta engasgada com o Dia que lhe é pesado
esganiça por mais alma, alguma alma
e num descaramento, finjo perguntá-la
por o que mesmo havia trocado a mim mesmo.
sábado, 31 de julho de 2010
a river, blue in the sky gazing human doldrums..
(kissing the feet of eternity is done)
blue inflating, blue in all I see
blue in all there is to be seen
(not myself, folded twice in the midst of a mournful street corner)
I see...
thousand shapes in dreams and thousand people reassured
to have found their own lugubrious
blue
shapes
to recognize
to recall when meaning fades
to
cry in silence
the blue existence
when it pours out and stirs everything:
the forced breakthrough
the lighted window blinds in the gloomy sundown
the strangled fierce around the castrated boldness
the unstoppable movement beneath the verdant mall
blessing everyone as they walk by...
(kissing the feet of eternity is done)
blue inflating, blue in all I see
blue in all there is to be seen
(not myself, folded twice in the midst of a mournful street corner)
I see...
thousand shapes in dreams and thousand people reassured
to have found their own lugubrious
blue
shapes
to recognize
to recall when meaning fades
to
cry in silence
the blue existence
when it pours out and stirs everything:
the forced breakthrough
the lighted window blinds in the gloomy sundown
the strangled fierce around the castrated boldness
the unstoppable movement beneath the verdant mall
blessing everyone as they walk by...
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Qual peso é maior?
o que é intangível que temos, enfim,
de resignarmos-nos, sempre, no fim?
É assumir? Como tal,
como gente, como um holocausto que vem de dentro
?
É essa vergonha de ser humano?
A vergonha ao nascer, a vergonha do amar,
a vergonha do desprezo, a vergonha do seu jeito,
a vergonha vertendo lágrimas envergonhadas à morte?
Quanta vergonha há em envergonhar-se...
Ou é a distância?
Remexendo, modelando, endurecendo,
o nosso barro divino
toma forma num processo assombrado no qual nada opinamos
E esse amor!
Amor processual, amor casual, amor de vinte léguas arrefecidas
de gelo
(o meu pai que fez a Copa de 70 ser brasileira,
segurando uma bola na cabeça no primeiro gol nosso,
tirando-a apenas para ver gol adversário;
prudente, recolocou-a no cocoruto e assim,
assegurou a vitória)
o que é intangível que temos, enfim,
de resignarmos-nos, sempre, no fim?
É assumir? Como tal,
como gente, como um holocausto que vem de dentro
?
É essa vergonha de ser humano?
A vergonha ao nascer, a vergonha do amar,
a vergonha do desprezo, a vergonha do seu jeito,
a vergonha vertendo lágrimas envergonhadas à morte?
Quanta vergonha há em envergonhar-se...
Ou é a distância?
Remexendo, modelando, endurecendo,
o nosso barro divino
toma forma num processo assombrado no qual nada opinamos
E esse amor!
Amor processual, amor casual, amor de vinte léguas arrefecidas
de gelo
(o meu pai que fez a Copa de 70 ser brasileira,
segurando uma bola na cabeça no primeiro gol nosso,
tirando-a apenas para ver gol adversário;
prudente, recolocou-a no cocoruto e assim,
assegurou a vitória)
sábado, 26 de junho de 2010
que pobre condição
o sangue, o jorro,
o gozo,
profundo arrebatamento,
o que senão digressões do jugo incoercível
dessa pobre condição
pobre pobre,
todo esse coração e o desejo
e o desespero
mas só falta mais um falta mais um passo
o maldito,
o desgraçado passo:
é sempre mais rápido que posso
sempre irrefreável
que pode?
o sangue, o jorro,
o gozo,
profundo arrebatamento,
o que senão digressões do jugo incoercível
dessa pobre condição
pobre pobre,
todo esse coração e o desejo
e o desespero
mas só falta mais um falta mais um passo
o maldito,
o desgraçado passo:
é sempre mais rápido que posso
sempre irrefreável
que pode?
domingo, 20 de junho de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Pictúria
Gente de vida vivida através de janela empoeirada,
erght,
acre, intragável!
Vida de futebol na rádio no lusco-fusco de um dia de calor.
Vida de música pop americana de fundo nos vapores de uma casa desdita.
De toalha de mesa de como nada mudou.
De coração seco engasgado sem saber porquê.
O que se salva é o brócolis no vapor.
erght,
acre, intragável!
Vida de futebol na rádio no lusco-fusco de um dia de calor.
Vida de música pop americana de fundo nos vapores de uma casa desdita.
De toalha de mesa de como nada mudou.
De coração seco engasgado sem saber porquê.
O que se salva é o brócolis no vapor.
A cigarra do apartamento, o chão de cimento existem em vão
Sua censura me pegou!
Ah, vida, vida, Vida,
que veio a me flagelar a mente?
Ah, mas se você
acha que eu não notaria
que me despreza, que lança olhares
e que de si partem admoestações
de sua maior dor,
ao saber de mim.
Acha?
Incomodo e não mereço perdão!
Mas se esqueci algo, pois algo assim
que não se esquece, valoroso,
e estou a estafar-lhe com isso,
não procuro escusas:
torce o rosto a mim
e a essa inaptidão!
Lhe confesso, sem meias palavras,
sou um desatento, um despudor,
um desentendimento!
Ah, vida, vida, Vida,
sua arte não é mais minha!
(sinto ganhar constituição:
onde foi a incerteza cultivada com devido apreço?)
E mesmo que se ofenda assim,
tenta ignorar,
não confie ojeriza sua comigo!
Que faço, quando minha libertação
de seus tentáculos já tornou-se
irreal? Que faço,
quando sua influência
me domina a mente
e me cala no interior?
Sua arte não é mais minha.
Será que apenas a si não parece escancarado
que sou mais um embarcado de seu naufrágio?
Ah, vida, vida, Vida,
que veio a me flagelar a mente?
Ah, mas se você
acha que eu não notaria
que me despreza, que lança olhares
e que de si partem admoestações
de sua maior dor,
ao saber de mim.
Acha?
Incomodo e não mereço perdão!
Mas se esqueci algo, pois algo assim
que não se esquece, valoroso,
e estou a estafar-lhe com isso,
não procuro escusas:
torce o rosto a mim
e a essa inaptidão!
Lhe confesso, sem meias palavras,
sou um desatento, um despudor,
um desentendimento!
Ah, vida, vida, Vida,
sua arte não é mais minha!
(sinto ganhar constituição:
onde foi a incerteza cultivada com devido apreço?)
E mesmo que se ofenda assim,
tenta ignorar,
não confie ojeriza sua comigo!
Que faço, quando minha libertação
de seus tentáculos já tornou-se
irreal? Que faço,
quando sua influência
me domina a mente
e me cala no interior?
Sua arte não é mais minha.
Será que apenas a si não parece escancarado
que sou mais um embarcado de seu naufrágio?
Outra coisa que seja
Eu suei minha espontaneidade
toda
Meu corpo não é mais de fumaça,
oras!
Que era que ser, se não fosse assim?
Eu acho que essa distinção
entre eu
E entre todos vocês,
e entre tudo que não é vocês
Enterra fundo, anoitece, asfixia
essas centelhas de amor natimorto
Pô.
Não fosse assim, que era que ser?
Qualquer coisa
outra.
Esse mar congelado,
sem martelo sem picareta,
sem falta sem compromisso,
que divide e extingue,
sem pedir perdão.
Tantas palavras que seriam!
E seriam!
E nunca sairão desse claustro
desse futuro do pretérito que não foi!
toda
Meu corpo não é mais de fumaça,
oras!
Que era que ser, se não fosse assim?
Eu acho que essa distinção
entre eu
E entre todos vocês,
e entre tudo que não é vocês
Enterra fundo, anoitece, asfixia
essas centelhas de amor natimorto
Pô.
Não fosse assim, que era que ser?
Qualquer coisa
outra.
Esse mar congelado,
sem martelo sem picareta,
sem falta sem compromisso,
que divide e extingue,
sem pedir perdão.
Tantas palavras que seriam!
E seriam!
E nunca sairão desse claustro
desse futuro do pretérito que não foi!
sábado, 17 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
!
Me diz algo novo, reclamou
cansei de saber de dores e cansaços
Todos nós!, avisou,
todos nós somos tudo podre e todos enfastiados
Mas como, discutia,
nesse enfado que é tua vida à mostra,
entediado!, me entedias,
sabe? Deixa jejuar sem preciso,
sem necessidade,
deixa-se largo!
Acrescenta:
Algo mais, não saberei mais te responder
juro que nunca mais te direi
de quem é o maldito focinho que você tem entre seu dedão e indicador!
Como, o homem transige, dissipa-se,
Como audácia tem em culpar-me por tudo que ocorre?
não quer me acusar de terremotos? maremoto?
Sua patricida!, que fui eu que tudo propiciei a ti
e te acomodei entre meus edredons
Pouco faz, tanto fez que se marcou indelével,
porra, que foi!, que foi!
Tua vida ilusiona tua visão em propósitos trabalhistas
funções meritórias em acudir soltas desesperadas, vulgívagas incorrigíveis
quanto mais? quanto mais me perdoará por aceitar sua salvação?
-
cansei de saber de dores e cansaços
Todos nós!, avisou,
todos nós somos tudo podre e todos enfastiados
Mas como, discutia,
nesse enfado que é tua vida à mostra,
entediado!, me entedias,
sabe? Deixa jejuar sem preciso,
sem necessidade,
deixa-se largo!
Acrescenta:
Algo mais, não saberei mais te responder
juro que nunca mais te direi
de quem é o maldito focinho que você tem entre seu dedão e indicador!
Como, o homem transige, dissipa-se,
Como audácia tem em culpar-me por tudo que ocorre?
não quer me acusar de terremotos? maremoto?
Sua patricida!, que fui eu que tudo propiciei a ti
e te acomodei entre meus edredons
Pouco faz, tanto fez que se marcou indelével,
porra, que foi!, que foi!
Tua vida ilusiona tua visão em propósitos trabalhistas
funções meritórias em acudir soltas desesperadas, vulgívagas incorrigíveis
quanto mais? quanto mais me perdoará por aceitar sua salvação?
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